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16/07/2017 - Noticias
Nasa projeta primeira missão para desviar asteroide
por veja.abril / Adaptação de PY4SM - Marcus

 

A agência espacial americana começa a desenhar sonda que pretende ‘bater’ em asteroide para mudar sua trajetória e defender a Terra de um possível impacto

Nasa está preparando uma ambiciosa missão para tentar defender a Terra de uma futura colisão com um asteroide. A Dart, sigla em inglês para Double Asteroid Redirection Test (Teste de Redirecionamento de Duplo Asteroide, na tradução em português) foi aprovada e passa agora para a segunda etapa, em que a missão será desenhada. A ideia é enviar uma sonda que deve ‘bater’ em um asteroide e, assim, desviar sua trajetória para evitar um possível impacto com nosso planeta.

“A Dart seria a primeira missão da Nasa a demonstrar o que conhecemos como ‘técnica do pêndulo cinético’ – colidir com um asteroide para mudar sua órbita – para nos defender de um potencial impacto de asteroide no futuro”, afirmou Lindley Johnson, especialista em defesa planetária da agência espacial americana, em comunicado. “A aprovação faz com que o projeto avance em direção a um teste histórico com um pequeno asteroide que não nos ameaça.”

   Asteroides como o de amanhã passam perto da Terra a cada seis anos aproximadamente e não oferecem riscos em função do tamanho


  • Como proteger a Terra dos asteroides

Segundo a Nasa, o alvo da missão será um asteroide que passará relativamente próximo a nós em outubro de 2022 e em 2024 – próximo em termos cósmicos, pois a rocha estará a cerca de 11 milhões de quilômetros de distância da Terra. O asteroide se chama Didymos, a palavra grega para gêmeo, pois ele é formado por um sistema binário, ou seja, são dois asteroides que viajam juntos pelo espaço. Didymos-A tem 780 quilômetros de diâmetro e Didymos-B, 160 quilômetros de diâmetro.

A ideia da agência espacial americana é que a sonda “bata” apenas no menor dos dois corpos celestes, Didymos B. Segundo os planos, ela atingiria o asteroide em uma velocidade de 6 quilômetros por segundo, quase dez vezes mais que uma bala ao ser disparada de um revólver. De uma base na Terra, os astrônomos poderiam acompanhar o impacto e medir a mudança na órbita do corpo celeste. Com essas informações, a Nasa poderia determinar quais as possibilidades de que a ‘técnica do pêndulo cinético’ funcione como uma estratégia de defesa contra um provável impacto.

“Dart é um passo crítico para demonstrar se podemos proteger nosso planeta do impacto de um futuro asteroide”, afirmou Andy Cheng, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Maryland, nos Estados Unidos, que participa da missão, em nota. “Como não sabemos muito sobre sua estrutura interna ou composição, precisamos fazer esse experimento em um asteroide de verdade. Com a Dart, podemos mostrar como proteger a Terra do impacto de um asteroide levando-o para um caminho diferente, que não ameace o planeta.”

  • Há possibilidade de vida em Marte?
     

Programa de defesa da Terra

A missão faz parte de um programa maior, batizado de Aida (Avaliação de Impacto e Desvio de Asteroide), feito em conjunto pela Nasa e pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). Ele é composto de duas partes: a sonda-projétil Dart, da Nasa, e a AIM (na sigla em inglês, Missão de Impacto de Asteroide), da ESA.

A sonda europeia, posicionada em um local próximo ao impacto da sonda Dart no asteroide, irá registar e analisar as consequências do choque. Seu objetivo será mapear e compreender melhor as características do Didymos e fazer dois tipos de lançamentos: pequenos satélites e um módulo de aterrissagem no mesmo asteroide.

De acordo com os cientistas, estima-se que os equipamentos sejam lançados a partir de 2020 para atingir o asteroide em 2022.

Dias passados comemoramos o Dia do Asteroide que nos alerta sobre rochas que podem destruir a Terra

Cientistas e celebridades de todo o mundo vão participar de eventos nesta sexta-feira para conscientizar sobre potencial destrutivo desses corpos celestes

Nesta sexta-feira acontece o Dia do Asteroide, uma jornada mundial para divulgar o potencial devastador desses corpos do sistema solar e a necessidade de proteger a Terra. A iniciativa, criada em 2014 pelo astrofísico e guitarrista do Queen, Brian May, e conjunto com o cientista americano Bill Nye, o Astrônomo Real do Reino Unido, Martin Rees, e três astronautas, tem o objetivo de “garantir a sobrevivência das gerações futuras”, segundo os organizadores. 

“Quanto mais aprendermos sobre o impacto de asteroides, mais claro ficará que a raça humana está aqui de passagem”, afirma May, no site do evento. “O Dia do Asteroide é uma forma de o público tomar conhecimento de que podemos ser atingidos a qualquer momento. Uma cidade pode ser apagada apenas porque não sabemos direito o que está lá fora.”

  •   Missão OSIRIS-REx, da Nasa


Estratégias de defesa?

Em 30 de junho de 1908, um asteroide de 40 metros de diâmetro causou o maior impacto da história recente quando colidiu em Tunguska, na Sibéria. O corpo celeste derrubou 80 milhões de árvores em uma zona pouco povoada de 2.000 quilômetros quadrados – uma superfície superior ao tamanho de Londres. O Dia do Asteroide foi escolhido para recordar a data e alertar para o fato que, até hoje, ninguém consegue prever com precisão quando será a próxima queda de um asteroide sobre a superfície.

Os cientistas trabalham para melhorar as previsões e descobrir como abortar um possível impacto – incluindo um eventual “asteroide surpresa”, que apareça sem dar sinais prévios. “Cedo ou tarde sofreremos um impacto maior ou menor”, disse Rolf Densing, diretor do Centro Europeu de Operações Espaciais, na Alemanha, comentando a importância da data. “E não estamos preparados para nos defendermos. Não temos medidas ativas de defesa planetária.”

As táticas poderiam consistir em destruir o asteroide com laser, tentar desviá-lo ou enviar um “trator” espacial para arrastá-lo. Mas, primeiro, os cientistas precisam detectar a ameaça e pensar em um plano rápido para combatê-la.

Astrofísicos classificam os corpos celestes por tamanho e pela composição. Os asteroides são rochas que podem medir desde alguns centímetros até 10 quilômetros de diâmetro, como o que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos. Eles penetram diariamente na atmosfera da Terra, muitas vezes pegando fogo durante a queda, e raramente apresentam algum risco – a agência espacial americana estima que a chance de sermos atingidos por um asteroide potencialmente perigoso nos próximos 100 anos é de apenas 0,01%. A maioria dessas rochas vêm de uma região entre Marte e Júpiter, onde há um grande cinturão de asteroides.

Outros corpos celestes, no entanto, habitam o sistema solar, como os cometas e os meteoroides. Cometas são objetos espaciais compostos por rochas, gelo e gases congelados, e quando chegam perto do Sol, o aquecimento dos gases forma uma cauda luminosa que pode chegar a milhões de quilômetros. Já os meteoroides são pequenas partículas rochosas que normalmente se originaram do rompimento de um cometa ou asteroide. Eles têm um tamanho maior do que um grão de areia e menor do que um asteroide. Quando eles penetram a atmosfera da Terra, podem receber dois nomes – meteoro (ou estrela cadente), quando entra em chamas e é completamente vaporizado, e meteorito, quando sobrevive à descida e ao menos uma parte sua chega ao solo.

Ameaças

Até o momento, especialistas conseguiram catalogar 90% dos asteroides de tamanho potencialmente perigosos e determinaram que nenhum supunha uma ameaça imediata. Estima-se que episódios de impacto com objetos tão grandes como o que atingiu os dinossauros aconteçam uma vez a cada 100 milhões de anos – o próximo, teoricamente, poderia levar ao fim da humanidade.

Os mais preocupantes são os asteroides que têm entre 15 e 140 metros, como o que caiu na Sibéria. Outro episódio relevante foi registrado em Chelyabinsk, no centro da Rússia, em 2013, quando um corpo de 20 metros – que não tinha sido detectado com antecedência – entrou na atmosfera, criando uma energia cinética equivalente a 27 bombas de Hiroshima. A onda de choque fez com que as janelas de quase 5.000 edifícios quebrassem e deixou mais de 1.200 feridos.

Evacuar as cidades

Diante da ameaça, a Europa está criando uma série de telescópios, cuja conclusão está programada para daqui a dois anos. Esta rede “escaneará sistematicamente o céu a cada noite, e qualquer asteroide que se aproxime será detectado com uma antecedência de duas a três semanas”, disse Nicolas Bobrinsky, responsável do projeto de vigilância de asteroides Space Situational Awareness, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

“Não é muito, mas é melhor do que o que temos agora”, acrescentou. No mínimo, permitirá evacuar cidades e alertar sobre a onda de choque. “Ao contrário de outros riscos naturais na Terra, como tsunamis e terremotos, este é o único que podemos prever”, disse Patrick Michel, astrofísico do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França.

O que se necessita, segundo o especialista, é cooperação entre políticos e agências espaciais e, principalmente, dinheiro. Um sistema para desviar um asteroide requereria entre 300 e 400 milhões de euros, estima Bobrinsky, uma soma minúscula comparada com o custo do desastre potencial.

Os eventos agendados para o Dia do Asteroide podem ser conferidos no siteAsteroid Day (em inglês).

Terra não está preparada para colisão de asteroide, diz cientista 

Em encontro nos EUA, cientista da Nasa recomenda a construção de um foguete para interceptar possíveis asteroides ou cometas que possam atingir o planeta. 

Se um cometa ou asteroide surpresa se aproximasse da Terra, a humanidade não estaria preparada para barrá-lo. Esse foi o alerta dado pelo americano Joseph Nuth, cientista da Nasa, durante o encontro anual da União Geofísica Americana (AGU, sigla em inglês), nesta semana. A recomendação do pesquisador é que a agência espacial americana construa o quanto antes, métodos para desviar uma possível colisão, como um foguete capaz de interceptar um provável asteroide ou uma espaçonave que nos vigie contra ameaças. 

“O maior problema, basicamente, é que não há absolutamente nada que possamos fazer a respeito desse assunto neste momento”, afirmou Nuth no encontro, em um painel sobre como desviar possíveis perigos cósmicos em direção à Terra.

    Missão OSIRIS-REx, da Nasa

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 O cientista afirmou que asteroides grandes e potencialmente perigosos são extremamente raros (têm menos de 0,01% de chances de nos atingir nos próximos cem anos, segundo dados da Nasa), mas, por outro lado, quando eles surgem, podem provocar catástrofes, como o evento que levou à extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos. 

A maior dificuldade, segundo Nuth, é o tempo hábil que os cientistas teriam para planejar uma estratégia de defesa. Para projetar e lançar uma espaçonave, são necessários cinco anos. Nesse período, qualquer ameaça surpresa deixaria à humanidade à beira de uma catástrofe. Uma opção, de acordo com o cientista, seria construir um foguete e fazer testes periódicos, para que esteja sempre pronto para funcionar. Com ele, a reação poderia ser mais ágil e eficaz. 

Nos últimos anos, a Nasa descobriu 15.342 objetos próximos à Terra (Near Earth Objects ou NEO, na sigla em inglês), sendo que 874 têm diâmetro de mais de um quilômetro, tamanho que poderia causar uma grande devastação no planeta. Nem todos são perigosos ou possuem rotas de colisão com a Terra, mas o número total inclui também 1.748 “asteroides potencialmente perigosos”, com mais de 140 metros de diâmetro ou com órbitas que passam perto de nós. 

Para impedir o asteroide 

Apesar de não existir qualquer estratégia de defesa contra as ameaças vindas do espaço, a Nasa está tentando desenhar estratégias para barrar a colisão de possível asteroide. Um dos objetivos da sonda Osiris-REx, que foi lançada em setembro deste ano, é coletar informações sobre o asteroide Bennu – que possui uma possibilidade em 2.500 de colidir com nosso planeta no século XXII. 

A sonda, que está programada para chegar ao asteroide em 2018, colher amostras em 2020, e retornar à Terra em 2023, deve dar aos cientistas algumas pistas sobre a composição e órbita dos asteroides, grandes corpos rochosos que vagam pelas galáxias. Para criar uma estratégia de defesa, é necessário conhecer detalhes desses corpos celestes, e as informações trazidas pela missão serão fundamentais. 

Outra ação dos astrônomos para impedir possíveis colisões é vasculhar nossa vizinhança em busca de objetos próximos à Terra. No hemisfério Sul, esse trabalho é feito no Brasil, pelo observatório Sonear, composto por um trio de astrônomos amadores. Localizado em Oliveira, uma cidade da 12 quilômetros de Belo Horizonte, o observatório faz fotos do céu à noite e as analisa durante o dia. Foi assim que descobriram cometas e asteroides passando próximo a nós.

 

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